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  2001: Odisseia no Espaço, por Tiago Teixeira - 2/1/2006  
 

Na história da sétima arte escassos foram os filmes que marcaram tão decisivamente o género cinematográfico da ficção científica como esta obra-prima do realizador Stanley Kubrick ( Metropolis do alemão Fritz Lang fê-lo em 1927, a saga galáctica Star Wars do norte-americano George Lucas voltou a fazê-lo em 1977). O argumento do filme, redigido por Kubrick em parceria com Arthur C. Clarke, foi baseado no romance The Sentinel , da autoria deste último, e pode ser repartido em 4 partes: “A aurora da humanidade”, “O ano 1999”, “Missão a Júpiter” e “Para lá do infinito”. A primeira parte mostra-nos a Terra povoada por macacos que lutam pela sobrevivência. Um dia uma das tribos descobre com espanto um imponente monólito negro cravado no solo – contacto estabelecido, um dos símios decide utilizar um fémur como arma de combate. Na segunda parte, no ano 2001 (dezoito meses mais tarde), o fémur lançado ao ar dá lugar a uma elegante nave espacial rumando à Lua (e nós temos o prazer de assistir a um dos flash-fowards mais fabulosos do cinema) com o propósito de desvendar as origens do misterioso monólito descoberto nas vizinhanças da cratera Tycho, objecto esse enterrado ali há milénios – o grupo de cientistas que o rodeiam, entre os quais se encontra o Dr. Haywood R. Floyd (Sylvester), ao aproximarem-se são interrompidos por um ruído ensurdecedor. Na terceira parte, dezoito meses mais tarde, a nave Discovery 1 segue em direcção ao planeta Júpiter tendo a bordo dois astronautas, o Dr. Dave Bowman (Dullea) e o Dr. Frank Poole (Lockwood), três cientistas em hibernação e o computador de última geração HAL 9000 (voz de Rain); é nesta fase que despoleta uma verdadeira guerra fria de poderes entre o Homem e a máquina, que terá como desfecho a morte dos cientistas, de Poole e ainda de HAL 9000. Na derradeira parte, a mais estonteante a nível visual e a mais enigmática de todas, foca-se a viagem inesquecível de Bowman por uma espiral do espaço-tempo – no fim, Bowman encontra-se velho e só num quarto estilo Luís XVI, acabando por se transformar num magnetizante e sublime feto astral.

Mais de três décadas desde a sua première , este clássico imortal tornou-se a mais aplaudida obra da carreira do seu genial realizador (ao lado dos não menos famosos Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb de 1963, A Clockwork Orange de 1971, The Shining de 1980 e Full Metal Jacket de 1987) e um dos melhores filmes dentro do seu género. 2001: A Space Odyssey é um dos raros filmes que transcende a mera dimensão de objecto cinematográfico e que alcança a absoluta universalidade.

À excepção do elenco médio-bom (que curiosamente tem como melhor personagem o fascinante, assustador e turvo HAL 9000, um modelo computorizado ultra-avançado que aparentemente não erra e que “sente” como os humanos) o filme de Kubrick é um dos mais perfeitos filmes sci-fi de todos os tempos. A realização atinge um nível superlativo. A história, de cariz filosófico e científico, analisa inteligentemente o ciclo de vida do Homem e a sua evolução ao longo das eras, bem como a sua ligação com os avanços tecnológicos, e denuncia com veemência o risco que advém desses mesmos progressos.

A música clássica dos compositores Richard Strauss, “Assim Falava Zaratrusta”, e Johann Strauss, “O Danúbio Azul”, é excelente e possibilita a animação de certos momentos do filme, isto porque, ao contrário de muitos filmes do género, em 2001: A Space Odyssey as naves não emitem som (segundo as leis da física o som não se propaga no espaço).

A montagem de Ray Lovejoy e a fotografia de Geoffrey Unsworth são de primeira classe. Os revolucionários efeitos visuais, realizados em colaboração com a NASA e premiados com o Óscar em 1969, são ainda hoje um deleite para os olhos dos espectadores.

Ambicioso (custou cerca de 10 milhões de dólares) e extremamente bem conseguido, 2001: A Space Odyssey é uma obra maior do cinema e, para muitos, a melhor de Kubrick; realizador eternamente perfeccionista, visionário e talentoso, cuja influência nos jovens cineastas da actualidade se revela imensurável.

Para quem pretende ver uma das grandes obras-primas que a 7ª arte nos deu.

O Melhor: O génio de Kubrick, a mensagem patente no argumento, os meios técnicos.

O Pior: Por vezes a inexistência de diálogos torna o filme um pouco difícil de acompanhar com a atenção que é requerida.

Tiago Teixeira

Blogue: Movies Universe