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E A COR MAIS INTENSA É A BONDADE / ENTRE / VISTA ___ SEM REDES___ com CARLOS COUTO SEQUEIRA COSTA por PEDRO SARGENTO - 31/12/2005 |
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Carlos Couto Sequeira Costa/Carlos Couto de S.C. é professor no departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Para além de leccionar na licenciatura, integra também o elenco de docentes do Mestrado em Estética e Filosofia da Arte e é orientador de teses de mestrado e doutoramento, sendo ainda, presentemente Prof.-conferencista convidado no Mestrado de Intermédia da Universidade de Évora. Desportista. Realizou várias exposições de pinturas-objectos-fotografias. Estuda piano e composição. Publicou poiéticas, ensaio, ficção, mesclas . Últimas “partituras”-livros publicados : Jogos de Estética-Jogos de Guerra (co-orientador)/ 1º Colóquio Filosofia Arte Estéticas-1998, Palácio Fronteira-Cadernos, Colibri 2006; Vedutismo, pedepagina, Coimbra 2005 ; Estéticas e Artes___Controvérsias para o Próximo Milénio (II Colóquio Estética/co-organizador), Lisboa 2003-2005; a deus, Fenda, Lisboa 2004 ; Caderno de Demónios/Nietzsche, Fenda 2003; Tratado de categorias, Fenda 2003; Blue & Brown Notebooks, Fenda 2002; Tópica Estética /Filosofia Música Pintura, INCM 2001; Simulacro e Trompe-l’oeil, Gulbenkian 1996 (com Gérard Castello-Lopes) . Prepara um convénio /doutoramento Internacional em Estética e Teoria das Artes , entre Roma e Lisboa, com Mário Perniola / Roma Tor Vergata , e uma encenação, com Diogo Dória, do seu pequeno texto-monólogo “teatral” Nietsz / Che ___ o Canto do Sepulcro/ Os últimos dias, Apenas Edições 2005. Em Outubro de 2006, realizará e coordenará , na FC Gulbenkian, um Colóquio Internacional sobre Rembrandt –Barroco 1606-2006 . Um outro projecto é o de procurar terminar um estudo “analítico” sobre Mnémosyne/Atlas e o Enigma-Memória. /…
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1 Professor Carlos Couto, o Cinefilosofia nasceu da convicção de que é possível encontrar Filosofia no Cinema. Na sua opinião, de que forma é isto possível? CarlosCoutoSC – Caro Pedro, respondo-lhe sem rede (gosto de cordas, de teoria de cordas), porque fascina-me o trapézio sobre o vácuo, sobre o vazio. Sem bengalas. Abram alas, então. Também já sabe que não gosto de pcs, inter/nets, máquinas… gosto de pessoas, e do piano, que também é gente. Bem. “Con-feri” uma conferência minha, há uns anos, como sabe, no Algarve, onde propus o termo , na sequência do meu trabalho de Filosofias Comparati/Vistas (que palavrão!), de Interferências, Cinefilosofias , musicosofias e outras sofias (poderia ser, também., a Alice…) . Um ponto –zero, prévio, se me permite, para esclarecer o “benévolo leitor”, se pa-ciência tiver de chegar ao fim desta “partitura” entre-vista que me solicita : o nome Carlos é já plural, já se vê, e seria (talvez) importante dizer que, desde que me relembro, existiu sempre em mim , reconheço, uma espécie de ironista, harmonista ou contrapontista “Logos conflitual” entre o SC “conflituoso-provoKant(??!)” e o nome Couto , que provém de meu avô, João Couto , ou seja SC contra/ ou em dialogismo com Couto (por vezes o Dragão contra S.Jorge, e não o inverso)…… Bem, a questão resume-se a isto, o Isto, o Isso, o Id, que dá sempre as cartas, e quase sempre baralhadas : o SC –dragão dadaísta ( mas com princí-pios, perdoe-se o jogo com sentido, penso) contra Couto , mais con-tido, de con-tensão ( e o terceiro excluído ? Carlos-plural…). Houve, entretanto, desde os anos/70 (tenho, agora , 49 anos, e ontem mesmo tinha 19, é vero !), outros nomes, mais ou menos anagramáticos ,e também palíndromas, Manoel Lascou, Sebastião Pombal, Lopo Ulrik (com qualidades) e o hard-Manoel da( e não de) Arriaga(!!), o Manoel Couto(o meu saudoso tio Manu), outros, outros, não sei bem porquê, mas isso daria outra “petite histoire”-“petite-phrase”, que aqui não importa, nem sei contar . Aliás, não sei contar histórias…. Bom, desculpará certamente este “heteróclito” grito e confêsso intróito (de Narciso…) … Restam os dadaísmos (sérios). E continuo. Respondendo directamente ao que me pede , sistematizo, esquematizo : depende do que se entender por Filosofia . As “imagens” do filósofo já não são o que eram… Depois de Kant e Hegel, é difícil , com as especializações cada vez mais locais , “nanologias”, não é ?, existirem “filósofos”__ especialistas da Totalidade……Inevitavelmente, cairíamos em mais totalitarismos, mas isso são outras redes, casulos, enredos, novelos : a cada um a sua “filosofia”, a cada um os seus fantasmas. A filosofia-ciência de rigor-vigor?, Metafísica?, Patafísica (Jarry) ? dialéctica-patética conceptual?, que mais?, “analítica” ?, invenção de conceitos (diz Deleuze)… ou …? Eu entendo o “pensamento do/sobre o pensamento” como uma invenção de Tópicas ; neste sentido, a dita “filosofia”(somos todos amigos da Sophia…), constitui-se como uma poiética-prática-teórica HEURÍSTICA, mas também como uma sageza, que lida, ou parte, não tanto do “conceito” mas do “concepto”, de conceber, “parir”, “gestar um anjo” (dizia D’Ors), do” concepto” de Tópica . E uma tópica é um “agregado” (Leibniz) , cluster de imagens-conceitos-esquemas (Kant, e vamos ter à famosa zona do esquema…uma “arte escondida nas profundezas da alma humana”…lá voltaremos) . Por conseguinte (e a coisa é sempre, simplesmente, mais complexa- comPLIcada), a “Filosofia” eclode como invenção de tópicas, que parte das “escritas” (a Filosofia “tradicional”) para “androginizar”( ó bodas incestuosas!) com outras “escritas”, outros suportes. Bergman e Bresson e Sokurov são imensíssimos filósofos-cinefilósofos, através de imagens-movimento-tempo-conceito-tópicas, Ligeti e Takemitsu na música (a metafísica de Bach, o último Beethoven, Schubert, Schumann), Ticiano-Caravaggio-Rembrandt-Velásquez-Holbein-Caspar David Friedrich-Rothko, tantos outros, através da pintura, Stieglitz , Francesca Woodmann e a fotografia, alguns coreógrafos, arquitectos como Greg Lynn e Libeskind , cientistas como Michio Kaku, Thom, Prigogine e Gell-Mann, o filósofo Kosuth e as instalações, enfim.. E há ainda o “cinema do cérebro” que fecunda o corpo, e o “cinema da filosofia”de Resnais (Deleuze), as imagens-conceito “dentro” da própria membrana-película (e não sobre ela) … … Está a ver ?, vai ser mais difícil do que eu julgava . “Tudo é filosofia” ? Não…que aborrecimento… Mas há marcas, e traços…_____ Eu chamaria à filosofia um cluster de tópicas “ interessantes” (Francesca Woodman e o seu trabalho…”muito inter-esse”, Anisch Kapoor e as suas esculturas-espaços que “pensam”, Bill Viola-é claro) ! Resumindo : “Filosofia” como Heurística de tópicas (tópica significa “topos”-espaço e invenção), topologias de invenção. É por isso que os ditos “filósofos” de hoje resumem-se a “comentadores” (alguns boécios sem cio, sem sexo…, sem força) da sacro-santa Tradição, alegando ainda que as “fenomenologias”, analiticidades e outras fantasias, pouco cromáticas, são científicas… e rigorosas !!! É um parque jurássico, como costumo redizer… E levam-se todos muito a sério… Woody-Allen e Marx/Groucho são muito mais “pensantes” (e dançantes) do que os tristes epígonos de Hegel, Kanto coral, Husserl, os “analíticos”, repito “anal-íticos”, “analécticos”… Desculpe os “alongamentos” (depois do treino “karat-ético”) . Vamos, numa só frase, à segunda parte da sua questão: a Filosofia está (também) em certas obras de Godard, de Tarkovski, dos outros que referi … e como ? Através do palimpsesto das escritas-imagens-sons… Histoire(s) du Cinema, por exemplo… não, não é apenas isso… O pensamento não é apenas discursivo, é recursivo, imagético, existem clusters-conceptuais nas imagens, uma ética das imagens, a imagem FAZ VER, DÁ A VER… e “pensa” . Cézanne: eu penso com pintura, a pintura pensa-me, “há um Logos das linhas, das cores, dos relevos”… … Merleau-Ponty dixit. É conhecido.
O Cinema pensa e esquematiza com “conceptos”, através de “imagens-cognitivas”(diria Carruthers), cognições-sensíveis, “argumentos” cinematográficos …e não apenas. Por isso, a “tríade” kantiana Imagem-Esquema-Conceito persiste e derrama-se na Obra, como afirmação inelutável de Vida contra o Outro, contra a Morte, afinal como o sublime e inocente olhar da Hipotipose . A “Filosofia” ___são : CINEMATOGRAFIAS DO PENSAR , de um pensar-sentir, cognição sensível… . Corto aqui. Estou apenas no meio, se calhar ainda não comecei, é necessário COMEÇAR , e não recomeçar, sempre de NOVO, de Novalis, de “i/novar”(?). Vai ver que é, talvez, maça/dor para si … e para o “benévolo lector”!!! Desculpem-me as (ex)citações, o jogo sério, analogias e “rizomatizações”… Podemos mergulhar mais fundo . Pensar é experimentar, é mergulhar para cima, não deduzir-traduzir ou seduzir, mas, justamente , é criar fluxos e canais, ritmar-escoar, “AQUEDUZIR”, perdoe-se o novo filosofema, acudir e Cuidar de “ductus”, ondas e fluxos que escorrem em aquedutos… , reluzir , inventar… Isso : AQUEDUZIR ! A Filosofia ? Filosofias : são então pequenas câmaras de ecos, memórias-mónadas com portas e janelas abertas , sempre diversificantes câmaras de prazeres (Geoffroi de Vinsauf). Ter “ouvido” para a Vida-Filosofia : o ouvido filosófico “pensassente”, vê, saboreia, o olho escuta (Claudel) . E talvez que o dito “essencial” do filosófico resida na música, como quando Kierkegaard afirmava que o fundamental da música está em D.Giovanni. A música é como o libertino, tenaz e voraz, ela escapa-se-nos, dilui-se, risca e arrisca e é “ arisca” a toda e qualquer tentativa de redução transcendental e entificante, evanesce-se, rápida e nervosa como uma fuga. Quando penso em Filosofia, penso em arquitectónicas-sensíveis,
em turbulentas e velozes fugas bachianas, penso em “objogos”
rebeldes, representações i-representáveis, fluxos,
reflicto no Logos musical da filosofia ___ Logo, reflicto em legos musicais
. Conectar-desconectar , pregar partidas, compor Partitas , Suites e Fugas,
Variações múltiplas, “cromatizar”. É
esse o meu vocabulário, as novas teclas de uma “filosofia
bem-temperada”, e articulável com.
2-A Filosofia tem, sendo assim, uma multiplicidade de suportes. Mais do que a escrita (ou em vez da escrita), também a imagem e o som podem ser suportes filosóficos válidos? Posso falar pelo meu humilde labor penelópico : há múltiplas (por isso não é ciclópico) VISTAS, ENTRE/VISTAS, COMPARATI/ VISTAS, possíveis, e entradas no Labirion , na cripta, do labirinto das artes filosóficas… O meu simples labor começa, e recomeça , na e através, ou de/través, da “escrita” . Sou “EXCRIPTOR”, não escritor, para me libertar da escrita. Desenredar de redes, de cordas, de grelhas. Não é o Pedro que me dizia que eu pintava , e compunha, com /a partir da escrita ? É isso a “cinematografia do pensar”; é isso, precisamente, o que designei, no meu último “não-livro” (novamente, o apofatismo)__ espécie de “Ceci n’est pas (seulement) un “livre” “/ para me livrar , libertar…, o que designei de VEDUTISMO /FILOSOFIAS COMPARATI/ VISTAS .
Há assim práticas que se entrosam e entrexprimem (dizia Leibniz) : isso é a monadologia estética do pensar. A “filosofia” é artística, a “arte” (que pomposidade de termos, também corroborava o Gilbert Lascault dos Écrits Timides…..) é filosófica . Metafísica como Arte, Arte como Metafísica : voltamos ao programa do jovem Hegel (a Aigle derridiana) e dos românticos de Iena, dos Schlegel do Athenaeum a Novalis, Hölderlin, outros, na esteira de um Leibniz artístico, da “tópica estética” de Schelling até Nietzsche……. Certa/mente : “ o acto supremo da “razão” é um acto estético” . Mas estético não no sentido de “calológico”, To Kálon e outras cosmeticidades…, estético no sentido de uma HEURÍSTICA , poiética , dinâmica, VIVA ! Regressamos, outrossim (e porque outronão?), à ars fingendi e à estética leibniziana do seu discípulo Baumgarten. Ou às “petites perceptions” . Está tudo aí! Todo um programa de inovação-invenção : o De Arte Combinatória (de 1666) do novíssimo Leibniz (obra que encontramos no leito de morte de Bach!, em 1750) é a poiética artística do pensar, enquanto a Monadologia (de 1714) funciona como a teoria, mas também THEORIA, VISÃO . Por aqui, Leibniz-palimpsesto está muito mais próximo do enciclopédico e heurista Leonardo(e de Diderot) do que de Kant ou de Husserl, está muito mais perto de Nietzsche (para quem a metafísica suprema é a música, “língua universal” , e “mathesis” sensível) e de Hofstadter (Gödel, Escher, Bach, Leibniz e… Lewis Carroll) do que dos insuportáveis talibans “anal-éticos” (passo o termo) e “analíticos” da “filosofia científica” . (Talvez possamos voltar a este nódulo, daqui a pouco…..) . Mas , retornando da Deriva (homenagem ao esquecido genial Lyotard), e relendo a sua questão, não é “em vez “ da escrita, mas operando “partitas” musicais com e a partir da escrita … O som, a imagem, por modelo, em certas obras “metafísicas” do cineasta Sokurov (o fabuloso “Mãe e Filho”) são pintados e pensados , “conceptualizados”… Quererá isto dizer que Sokurov pretende fazer-filosofia ? É ridículo assim reflectir : como se a tradicional (“escrita”) história da filosofia, a Filosofia + Filosofia + Filosofia, fosse a Trindade Santíssima, e o mundo começasse e acabasse em Platão e Aristóteles !!! Sokurov pensa, e bem, com imagens, é um trabalho de pensar-sentir, é tudo. Do meu ponto de VISTA , o que hoje se estuda em filosofia é história de filosofia (e é importante), como há uma história da pintura, da fotografia, da ciência, etc.…. Mas a Filosofia___“não é” : há múltiplos pensares, uns mais dançantes (de Heraclito a Buster Keaton, ou Monthy Python, Marx, Groucho, evidentemente), outros “delirantes”, da “lira de Orpheu” (o “sistema do delírio” do grande R. Girard, via Guattari e Deleuze), outros mais “conceptualizantes”(Husserl, Heidegger, Frege, Russell, tantos… ) . Insisto, todavia, em duas coisas simples: é necessário trabalhar(SEMPRE) a diacronia desses estranhos-Unheimlich/e “ animálculos” que persistem em se engolfarem na filosofia (muitos lógicos já enlouqueceram há muito, sem o saberem, justamente por excesso de “razão”), ou nas várias posturas-asanas filosóficos e , por outro lado, é importante, para um estudante da história da dita filosofia, uma formação compósita, sólida . Por exemplo, Filosofia e Estética , e conhecimento sustentado (como se diz!!!) , técnico, teórico-prático, de teoria e prática artística ; ou Filosofia-Epistemologia-Ciência , Filosofia-Bio-genética, Filosofia e Política, Neuro-Filosofia, Filosofia-Astrofísica, enfim… Evidentemente, qualquer investigador destas áreas pensa, e deve fazê-lo, “reticularmente” (recorde-se a obra notável e englobante, e cada vez mais injustamente olvidada, a nível de metodologia e epistemologia, de Edgar Morin) . Qualquer físico, em demanda dos quarks, do higgs, do nervo “primordial” (e do “antes” do “antes”) das coisas, desemboca sempre nas “tradicionais” questões “totalizantes” da Filosofia : o Sentido, a “Verdade”, o Ver da Verdade, o Fundamental e o Essencial (diferentes),a Diferença-diferâncias, o Pensamento do pensamento, o Telos-os fins, a Morte…… a Morte…a origem sem origem radical… … todos conhecemos o testamento metafísico-pictórico de Gauguin (prefiro : quem somos, donde viemos , vamos onde, e, já agora,… quando é que se “manja”?) . Gauguin, como Rothko, como Ligetti na música,
muitas vezes, vão mais longe e pensam melhor, com os seus imanentes
materiais, do que os tristes actuais burocratas da Academia (clube : Académica
! ) “filosófica…. São autênticos “parques
jurássicos”, repito (e lunáticos), muitos dos actuais
departamentos de Filosofia existentes por esses mundos possíveis
e impossíveis, e “nacionais”. Ao pé de muitos
deles, João César Monteiro é um Dalai-Lama modelo,
sereno, pacífico, equilibrado ! É verdade ! É patético! É uma cultura da “actualidade” talibã, já o disse, de morte , de exibição (exibem a sua castração…, no fundo, a sua descompensação de nibelungos, pobre nibelungo !), não uma cultura de VIDA, de ALEGRIA, de AGONÍSTICA, DE CRIAÇÃO, cultura de iluminações, amores, epifanias… é mais uma triste cultura de ratos-epitáfios , sem fios nenhuns para o presente, e para o futuro. O Pedro recorda-se (?) do que Deleuze afirma, no seu ABCdário com a “discípula”amantíssima Claire Parnet, a propósito da letra W / W de Wittgenstein…Pois é ! (Voltarei a este ponto, um pouco, à frente…) . Mas aí, acho Deleuze um pouco injusto ! Wittgenstein é, foi , e revolucionou toda uma estilística. Havia um pateta-marrão de um Prof. “filósofo tradicional” que me dizia, enquanto eu era estudante (e continuo estudante“aprendiz do silêncio”), que Wittgenstein não tinha nada de “ filósofo”, porque era um ignorante em filosofia, e que Jankélévitch era apenas um “epígono”… Essas coisas . É lamentável quando “não se pensa”e se pensa que se pensa… . E , senão : não se pensa mesmo. Adiante. Pensar é criar, criar tópicas, criar conceptos-criar criações, conceptos de conceber criações. Filosofia é criação de clusters, já o repetimos, invenção de tópicas. Jamais comentário, jamais repetição. Resposta : a imagem , o som, o corpo, outros suportes (in-suportáveis, por vezes) PENSAM-SE A SI MESMO, com cores-“conceptos”-sons, e “dão muito que pensar”. Cabe ao receptor captar, capturar, essas intensidades : conceptos e não “puros”conceitos, argumentos cineglobalizantes e não trejeitos-travestis de “problemazinhos” filosóficos, ou das ondas conceptuais preciosas de modas “pós-gays”e metrogayzolas (há os outros, mais gaiolas viris e sadias, sabia disso ?, os metrosexuais tipo Brad Pitt, Pitt Bull, outros) & etc. [ah o que eu fui dizer!!!, CORTA : mas…, seria
interessante, já o refe/RI numa entrevista com o meu adversário
amigo biólogo e sociólogo da comunicação Manoel
de Castro Granado, no livro Vedutismo, tentar uma arqueologia da relação
entre Filosofia e Falosofia… dos gregos a Foucault, que focou sempre
essas historietas, haveria muito que explanar …(um aluno meu, do
ano passado, na casa dos 60, julgo, escreveu-me nas suas fichas-Zettel
: x-nome, casado, com filhos, heterossexual, alegre, feliz…..Eduardo
–Luís Cortesão, mas isso daria para outra lenda-legenda,
dizia-me que , quer queiram quer não, a coisa mais bonita do mundo,
e eu aprovo inteiramente, é a relação de um homem
e de uma mulher… Finalmente, o começo. Sempre, assim. Desculpe o entusiasmo shaftsburyano, eironeia e risos . É que estou a dar também uma “in-disciplina” sobre O Riso dos Deuses … Tentarei ser mais breve (prometo) e “claro”(o “obscuro-luminoso” do Schelling) , da próxima vez. Prometo. Prometeu, o virtuoso, audá-cia, Cio, prometaico, agonístico. Leia outrossim a polemológica“Histoire de la Boxe” do kant-nietzscheano Philonenko !, bem como “Tueurs” . São lições de Ética , tipo-Mystic-River do Clint, um soberbo filme. E uma proposição, melos (e não metron), uma simples linha nipónica, um traço de Tobey ou de Twombly, uma nota de Takemitsu… bastam. Sufficit unum !, dizia sempre o filósofo. Mas não creio que tenha respondido totalmente… gostava de rever… é um leitmotiv , eterno retorno para a frente, uma queda em ascensão, con-tensão irrequieta, que sempre regressam( um pouco como o genial pensar-derivar de Malraux) . No final é muito mais importante a Relação, o Amor, a Alegria com o Outro, o Respeito… FAZER-FILOSOFIA ? Escrevi , em tempos, há muito-muito tempo, numa “recensão” a “Cinq Sens” de M.Serres, este filosofema. Nem tanto. Mas mais : FAZER BEM, fazer bem, sorrir, rir, fazer bem a Outrem. E o paraíso, digo-o sempre e reitero, recomeça aí, em cada e a partir de cada um de nós…… Devia haver multas (falo sério !) para a má-educação (não vou elucubrar mais, agora…), o ressentimento, a invidia (olhar excessivamente para o outro…) . Bref, basta ver o modo como muita gente guia (não gosto da palavra con- dução : mas interessa-me a congérie de termos, já o apontei supra, como indução-dedução-tradução-redução- ao “essencial”- Sedução-ABDUÇÃO , a abdução que Eco tão bem reinventa…) . Pedro, meu amigo e “al/uno” MÚLTIPLO, SEMPRE : não acha que o mundo iria muito melhor se cada pessoa TENTASSE duas coisas: pedir desculpa, dizer muito obrigado… ? Eu tento… é claro que somos (in)humanos…Vamos tentar. Uma “REDEFINIÇÃO” da Filosofia (pobre Goodman, prefiro o Batman, e o John Goodman) , mal/dita, bendita, diabólica-simbólica, quer mesmo ? Definição ? É a ARTE de fazer bem… l’art, tout court , dizia ainda o citado boxeur Philonenko (mas os grandes sages, esses, são quase sempre anónimos, e simples, não vêm nas sebentas, e não chegam ao Poder). PARO ! Tens de parar. Na próxima, prometo, serei mais moderato cantabile, menos Presto, … e brevísssssssssimo (mas já sei que não vou conseguir ser tão-breve… talvez mais lá para o fim… apenas, e tão-somente, nessa “linha nipónica”, despojada, como dizia o filósofo…, e como já referi atrás… 3 Leccionar sobre o riso – certamente não haverá muitos docentes com essa vontade -. Que pode o riso contra a seriedade, ou se preferir: que pode trazer ao mundo (até ontologicamente) o humor em confronto com as ordens? (sejam pré-estabelecidas, sejam ditatoriais, são-nos sempre impostas…)
… brevíssimo? Um só termo, ou dois : bonheur, joie, joie de Giotto! Aqueles azuis ! Podia ficar por aqui. Todavia, fico tentado a explicitar… É isso. O riso é o mais sério, e serial, é a energ/ética álacre da criação, induzindo e produzindo contínuas séries e linhas de libertação, de iluminação, desenredando, desbloqueando, além de ser, quando é probo e autêntico e espontâneo, um verdadeiro tonificante (e não tonifiKant, passo o termo… está a ver… já nos estamos a rir !). Paixões alegres, como queria (e produzia) SpinOZa, mais do que o demoníaco riso (Baudelaire). Contrariamente ao “Jorge de Burgos”(adoro Burros, inteligentíssimos que são), que condena o riso, o riso LAVA A ALMA MUNDA (e não i-munda). É preciso o “Cuidado” (Sörge) do Riso, tratar bem dele : ontologicamente, a “subtilitas” do riso desarma sempre, levando o Outro a repensar, a sentir, a ter maior “equilí-brio”(com bom-senso, mas também brio e inventividade, alegria de criar mais crias, sempre mais). Ultimamente, tenho lido recentes livros de “filosofia”, certamente densos, metafísicos, muito sérios… mas depois não há uma única ideia, uma única, tão-pouco nova. É patético, mas há quem goste (veja o filme “le goût des autres”) : parecem as velhas“sebentas” certinhas e direitinhas do liceu, ou mesmo das faculdades, sem qualquer acento de inovação, de risco, masoquicamente repetindo aquela insuportável lenga-lenga de velhas categorias (catego/RIAS disso ?), conceitos gastos e castos, dialelos, densidade-zero, camaleónica-zelig e autista, coisas de revista… E o que é tudo isto ao pé de um soberbo livro como o de Umberto Eco___”Kant e o Ornitorrinco”? Obra densa, tensa, intensa, extremamente bem estruturada e pensada-sentida, de uma erudição fabulosa, mas também de fábula e ironia, onde não falta (como em tudo de Eco ) o subtil humor, e sempre a inventividade, a seiva e o “esperma” (não me perdoe o termo) do conceito, a Vida, a criação, a desconstrução. Obra de sapiência, ciência e riso--- que “ ecoa” . É isso que faz sentido. É Isso que faz , sempre, sentidos ! Há algum “filósofo” em Portugal ? E o que é isso, sempre o ISSO, de “filósofo”? Como aquele sujeito que vai ao ecrã palrar, e parlapatar, papaguear o já dito, coisas banais, e depois, na legenda, surge o empolado termo “filósofo”… um pouco de seriedade, e contensão, e humildade!! . Um estudante que tira o curso de Direito, pode ser magistrado, advogado (do diabo), mas um que tira qualquer coisa” aberrante”(?) e anacrónica (talvez, ainda bem, e gostaria de voltar a este ponto dos anacronismos, veja-se Didi-Huberman…) como filosofia, não é logo promovido a general-catedrático e “filósofo” ! Um pouco de dignidade : pelo menos, historiador da filosofia, investigador de história de filosofia… sejamos justos, húmiles !!!. Já não há filósofos, éticos-estéticos, como Vladimir Jankélévitch !, os éticos são gnomos patéticos (reitero) e hienas sem Witz, Wit, anamorfoses pequenas-tipo “agência” barata (sem desprimor !), “góticos”, caóticos (sem caOZmos) , sem metamorfose … e, sobretudo, inteligência diversa-divertida-criativa, e BONDADE ! Quanto a Eco : é , de facto, um imensíssimo filósofo, dos maiores do século, como Morin, Deleuze, Derrida, Jankélévitch, Malraux, Zizek, ou Wittgenstein (Woody-Allen , Bresson, Bergman, Tarkovsky, Takemitsu, Ligetti… é claro, também…). Adiante, e retomando o ariana, e o Riso-sorriso. Pensar-sentir -empatizar-criar-inventar traços-elos (e jamais enredar)___ são esses os Holzwege… Mas, aqui, o caminho leva , certamente, a algures, e não a nenhures. A boa utopia ( a Tópica) recomeça sempre, e o paraíso, como a rima do riso, do sorriso aberto ao mundo, recomeça , a partir de cada um de nós…Já o apontei. É a lição de ética, “eretismo” passional, do Prof. Kunigrund (leu o Gog ?...), e de outros… “Sabe o que é um lariço ?” . Vamos mais fundo : politicamente, hoje, à nossa escalazinha paroquial (temos sempre de “vedutizar”, relativizar, nunca somos o”centrismo”das coisas), estamos nas ditas “presidenciais”(o português aperta os cinturões negros e os políticos, alguns, é sempre bom ser-se de “esquerda”,não é ?, apertam as vestimentas e adornos numa estância skiante de neve : cai mal, muito mal, convenhamos), pobres presidenciais narcísicas sem qualquer Idea-Invenção, desta nossa tópica de um Portugal sem ser velho, uma vez que a expressão “Portugal-velho”significa um “homem de princípios [não gosto dos “rígidos”], franco, leal”. Vem dicionarizado! Embora, nessa expressão, reconheça aquele cinzentismo que nada tem a ver com a demanda do “ponto cinzento” de Klee : é um cinzentismo da tal “seriedade”e “austeridade” sem ser “auste RI dade”, sem abertura, sem tolerância (com firmeza, é claro), sem RIR. Se me perguntasse coisas “devotas”, de votar ou não (por vezes, apetece votar naquelas benditas frases em latim do Cícero-Séneca e Horácio, com muito Cio, e sapiência, e sentido de humor…), eu respondia-lhe que gostaria de votar numa espécie de “MUCE” de Portugal … mistura, métissages, combinatórias, arte da invenção, ideias, mais ideias realizáveis, e outras, enfim, um MOVIMENTO UTOPISTA (mas cheio de espaços-abertos, de tópicas-mónadas abertas) CONTRA (não é ser sempre do “contra”, mas é ser-empatizar com”) OS ECONOMICISMOS de toda a estirpe, que, obsoletos, nos asfixiam . É preciso RIR mais dos “economicistas” bacocos e dos “realistas” do que dos “topistas” e “utopistas”. Obviamente, não estou a generalizar , mas há um espírito demasiadamente burocrático-economicista, “markettizado” e não matizado, hiperbólico, SEM ALMA, SEM VIDA, que impera, que descria, que quer atrofiar . É preciso combater isso com o rigor e o vigor do riso criativo, construtivo e desconstrutivo, empreendedor de inovação, ideias, ideais, crenças no melhor dos mundos possíveis. Não refiro nomes, mas também prefiro( ne-uter, nem um , nem outro, mas a outridade !)mais “seriedade” e “competência” do que mumificantes (não sabem que nuca existiram) espelhos de Narciso, não é ? Demiurgo narciso-último piso ? ! Ah, meu rico país isaltinado-desatinado, onde pairam os “heróis” ?, que bonifrates são estes ? Que mundo imundo de “berlusclonis”, sem clonnes-possíveis, Chiracs, de-Busch, que deboche sem Bosch…. Tamanho desperdí-CIO ! E ISSO (o Id, a Id- entidade, o Inconsciente que Ri) começa, já o disse, a partir de cada um de nós : simpatia-empatia, riso, abertura, diálogo, rigor… e mais IDEIAS-IDEAIS NOVOS (poderia ser o mencionado “partido” NOVALIS, o renovado, vale ?) . Queremos cidadãos renovados e com criatividade, não queremos espaços-mausoléus (e maus-mausoléus), não queremos Poder censório e cego, e “omnIMPOTENTE” (passo,novamente, a expressão), não queremos Poder “inculto” e “tecnocraticista”. QUEREMOS ALMA INVENTIVA, ALEGRIA , DIGNIDADE, COMPETÊNCIA (ponham os políticos e os corruptos deste país a ler o “De Hominis Dignitate” do grande Pico della Mirândola, o pico dos PICOS das 900 teses !) . Não, não vou enveredar agora, não se assuste, por 900 teses, que horror! Mas onde paira tudo isso ? Não encontramos… Mas digam a muitos políticos, e muitos corruptos (é o termo), que destruíram Portugal nestes últimos 30 anos, que leiam as Máximas de Marco Aurélio (e, já agora, vejam o Ridley Scott do Gladiador), de Confú-Cio que sorri, de Epicteto, de Michel Serres ! A “democracia”(tão maltratada!) tem de ser aprendizagem de rigor, seriedade, liberdade e não libertinagem, o sorriso e o riso da responsabilidade : não vê o Steiner, que sorri, e ri, e que fala do ser-respondente, ser-responsável, ao mesmo tempo ?Uma coisa não invalida a outra. Não é necessário o Poder ser seguidista , e Moloch, e Leviathã . Façam “partidas” aos Partidos políticos, exigindo dos políticos (falo sempre a sério) CRIATIVIDADE e gente de ideias, e gente com GRANDEZA ! Com HONRA! E com VERGONHA, e decência! Os que não têm DIGNIDADE e CRIATIVIDADE devem abandonar a nobre arte…, não é ? [veja o actual Procurador, que eu tenho por um homem bom, digno, procurador-que-procura o bem, fazer-bem, tentar fazer-justo (é hoje muito difícil, há demasiadas teorias das cordas, das redes, imbricações, contaminações!....Eyes Wide Shut ?), tentar com um sorriso, ainda que erre, errância, errôr, é natural, mas veja que ele sorri serenamente, procurando a justeza (mas, repito, é muito difícil a “justeza”, actualmente, em Portugal, o espaço está todo e tudo muito envenenado, cheio de mau-cheiro, grupinhos e grupetes, intelectualóides de copioso abdómen, ratazanas e peste, muita peste, sem dilúvios, sem cios, sem Uccellos !, ó áurea –mediocritas !!, isso sim!… É PRECISO LIMPAR PRIMEIRO, E BEM, AS MORADAS DE CADA UM) ] . Dir-me-à , TUDO UTOPIAS?, e o homem será sempre um febril ani/MAL , com o mal radical lá dentro! ? !! Enfim… mas eu ACREDITO na METAMORFOSE, reitero ! Um dia, um século, um espaço-outro, e verá ! E Pode começar já agora : Rir, sorrir , SER-CRIAR, e reconhecer os seus actos, ajuntar, ajudar, doar dons. Tão simples como isso. Pelo menos, irmos tentando. E , repito, l’espace du bonheur, recomeça sempre aí… Quer expeRImentar ? Da próxima vez, prometo-lhe, mesmo, caríssimo Pedro , serei brevíssimo (por vezes, basta um só termo, para atear um Clarão, ritual ou RTA de fogo!) .
Bref : a ars (incluindo a dita filosofia como ars, e a ars como filosofia, modo românticos), sendo a reiterada “arte escondida nas profundezas da alma humana”, é a odisseia limítrofe do pensamento sem limites, o fazer-cosa mentale, a poiética de Odisseus mais estrema, e extremada, e abissal. A ciência, e a física, a química quântica, são, hoje em dia, pura abstracção e quase delírio metafísico…. Mas, no fim, precisam dos fonctores, funções, da prova, da verificação, para se tratar de “ciência” rigorosa…é científico, não ? (questionem Prigogine e Lakatos). A filosofia é um delírio (como a arte, a ciência, a religião, as poiéticas, a política, a psicanálise…Oh, a psicanálise, e haveria tanto a dizer de alguns dos nossos “psi”, vendidos, beócios e castrados psicanalistazinhos…sem honra nem força, mas isso daria outros, muitos e muitos, “rimanços”), mas procura ser “axiomática”, demonstrativa, “analítica, “certinha”, de “bom-senso” e procura ser “phronética”… nada de frenética, fundamentando-se não no paradoxo mas na axiologia dos valores. Resta a Tópica, a Poiética, a Cognitio sensitiva (Baumgarten leibniziano), enfim, a Arte como experimentação radical sem limites, e para-além destes (o ilimitado ainda é um limite, lembre-se sempre) . E a Arte precede sempre a ciência . Veja-se Malévitch e a Relatividade, e é também conhecida a velha tese do canónico Herbert Read, entre outros. A “ars” (o termo “Arte” é demasiado pomposo!) salva, salvífica que é, transmuta, “hibridiza”, pode matar e “criar danos”, mas também “curar” e criar focos de insistência-resistência . “Filmes” como o Exorcista levaram a muitos suicídios, tal como o texto Werther de Goethe, tal como Léni Riefensthal (um exorcismo, e Sismo, bem diferentes), veja-se a danada-danosa “Laranja Mecânica” e, ainda, o recente colectivo fabuloso, publicado por Gerfried Stocker, e intitulado “Hybrid”, desde a política-híbrida às estéticas e “ars electrónica”, das identidades híbridas aos arquivos-métissages, tudo reina, e reina de jogar-gozar, no paradoxo… a ars vive e alimenta-se da morte e da vida, do paradoxo…mas não terá o paradoxo limites ? E quem decide?, é sempre a questão. O bom-senso…? Que / quais os bons ou maus-sensos? Questão interminável, análise in(de)terminável. Genette kantiano diria, puramente subjectivante ! A obra, alquímica, medusa, é medusante, atraindo-nos para o abismo sem fundo, vertiginosa queda em ascensão. Para todos os efeitos , temos que fazer a “peregrinação”, a passagem, o pacto (sunbollaión significa pacto e símbolo, lembra-nos Guy Rosolato), passar pela provação labiríntica (é também um nome de uma série de entre-vistas com Mircea Eliade/ A Provação do Labirinto). O Pedro sabia que, 15 anos após o seu último filme, Coppola está a realizar um novo, com Tim Roth, entre outros, justamente baseado num conto de Mircea ?
i. [É “politicamente correcto“ repetir-se, con ostinato rigore, a “fascização” de filósofos como Mircea , Blanchot, Paul de Man, mas… todos se esquecem que existiu o mau-Mao, e Estaline enterrou milhões… e milhões…vivos, bem vivos, na Sibéria !!!Entre dito comunismo e fascismo há e houve grandes afinidades –electivas, por aí não vamos longe. Há alguém ainda “comunista” ? Veramente ? Conheço idealistas-comunistas, veros, mas muito poucos, que respeito, mas…… do Partido (estalinista)… tenham dó… Nem em Dó Maior ! É o retorno ao Parque já falado ! Crie-se, com HONRA, uma NOVA UNIVERSIDADE DE PORTUGAL, recrie-se o país (“re-eduque-se”!, a começar pelos ditos políticos, muitos deles) . Mas não com “partidites” conservadoras . Ainda faz sentido dizer-se de “esquerda” e/ou de “direita” ? E, porque não, “para a frente” ? E , porque não, movimentos ético-estéticos que revolucionem TUDO ?“Acima”? “Hipóstases” ?. Tenham vergonha os que destruíram Portugal, a “exemplar” descolonização, após o dito 25 abrilense-circense! Foi fundamental, é claro, mas perdeu-se uma grande “volonté de chance”, Bataille dixit, e a corrupção impera, muitos obscuros enriqueceram, seria bom observar ao microscópio os “sinais” involutivos, ao longo destes últimos 30 anos !…Portugal é hoje um país , pulsionalmente falando, regressivo, depressivo, marmita de pulsões fervilhando e rebentando pelas costuras, um país fóbico , minado e contaminado desde os Tops, os Jets- 2 ( 7 ? Nem 1!), as recentes fortunas sem Fortuna nem pejo, rubor, até às “bases”…… Tudo vai ruminando da mesma gamela ! Enfiem muitos vermes não nas gaiolas com TV-cabo, e mais “tronos” particulares, mas em serviços –sociais e braçais, obras, construções, muito bem, com coleira-electrónica, porque não ?, ouvindo, uns, Rachmaninoff (se se esmerarem!) e, outros, Rockmaninov e demais ! Não se trata de Vigiar e Punir, ou “Vigilar”, mas de VELAR, REVELAR E FAZER REVELAR , procurar (acreditarei sempre) que as pessoas se transformem, melhorem, se “beatifiquem”…… a escolha pelo OUTRO…morrer por OUTREM … Fazer… Fazer bem… partimos disso.
Enfim !.... Tenham DECÊNCIA, repito ! A Cultura , a Educação , trazem alguma bondade, e civismo (aquele nazi que arranha a 960 de Schubert… )? Esperemos, ou melhor, não esperemos, façamos : é preciso ACREDITAR EM ACREDITAR ! Calo-me… guardar silên-CIO !!!???. Os pançudos-hirsutos-esguios-saprófitas-parasitas ignóbeis, e béus-béus, e locais-globais (ah, petit-o! , que catástrofes, terramotos-marmotos, ah, petit-a !!!!), já colonizaram este país, pan-académicos de Universidades-môfo e não Pluriversidades, mas, é óbvio, são do “povo” !!!! Pobre “Portugal dos Pequenitos” que parece a lota das peixeiradas (sem desprimor para as ditas, e para os ditos ) : imaginem bem, caros leitores (se ainda os houver) o que foi a última imagem__ elevada para o “ether”___, perante certos politiqueiros desalmados, o último IMAGO de um homem probo e superior, como o Prof. Sousa Franco !!! É muito revoltante, e pat-ético, muito pouco ético, e po-ético, tudo isto ! … … a começar por muitos ditos “filósofos” que se intitulam “éticos”… alguns são, creia-me , amigo Pedro, o mal-radical… Bem, exagero! Nem existem ! E que importância têm (alguma vez tiveram ?), hoje em dia, os magnificentes “departamentos” da dita Filosofia , e muito do resto, face a todo esse outro resto e, em particular, face ao Real, à “Idade Media”, dos Media, essa sim , que impera, dita as regras à arte e à lei, faz e desfaz ídolos, constrói e destrói mitos e realidades, pula e manipula, descontextualiza e desliza, entropiza, psicotiza……O mundo a seus pés (muito inchados, muito sujos)……….. Isso, sim, é a fascização TOTAL !!!, o “ecrã bem demoníaco”! Leia-se “Contra a Comunicação” do meu querido amigo Mario Perniola ! Em Suma (estética) , hoje, Portugal lobbyzento e cinzento, e de capelinhas e grupinhos, regride, regride muito e deprime (perdeu-se, outrossim, a chance europeia ?), mas é um facto : quando menos se espera, do spleen “menencórico” e pantanoso, Portugal reergue-se de novo, volitiza, acredita__e opera, e RECRIA-SE ! Há ainda muitos Sobrinhos Simões e Mourinhos, Lévi-Malhos (tão esquecidos) e Fernandos Gis e Sousa Dias, Marias Joões Pires e Burmesters, Rosados e Pizarros e outros guerrilheiros, Carlos Franças e J-A Franças, muitas crianças-futuro e experimentadores que mantêm a força da criança e não desistem, Fernandos Nobres (que nobreza! um Nobel, um “prémio” Pessoa para Fernando Nobre !, mas ele não necessita de prémios), e outros Nobres, Manuéis Antunes, Damásios, Catalinas e Strechts, Villas-Boas e Isabel Jonet (longas Villas-Longas, também), desculpem-me as milhares e milhares de omissões, tantos e tantos jovens cientistas anónimos, professores, jovens entusiastas e empreendedores (sabe que há um Mestrado de “Criatividade Total”, em Santiago de Compostela ?), tantos e tantos anónimos investigadores, e escritores e poetas e criadores fabulosos, de fábula também, não percamos a esperança___ “só para os já desesperançados”!!!, há muitos jovens sãos, de 20 ou de 40 ou de 70 anos, a pedirem uma oportunidade… e terão muitas ! Mas há também o reverso-perverso, com muitos e jactantes “prémios”, de permeio, “conde-corações” sem coração possível : “tulit autem honores”… os verdadeiramente grãos e grandes das estórias da História não vêm, recito, muitas e muitas vezes, nos compêndios…… Mas isso daria outros “Pourparlers” !] E voltemos a Copolla, passado o sermão (desculpar-me-à) : e poderá ser um novo, e n-Ovo, passo o jogo, “Apocalipse Murnau” !!! Não, não vou …em mais-más(?) tentações… CONTINUEMOS. O Pensamento é Criação e ars, invenção de formas-forças, intensidades e con-tensões, como costumo dizer (metafísica dos costumes?). Tudo (re)começa por um desiquilíbrio equilibrado, é isso o fazer-heurístico. Con brio, vem nas partituras! É necessário (tentar) suportar o in-suportável …o corpo é sempre esse suporte in-suportável…Disse-o. Mas alonguei-me , novamente …Muitas reticências, e renitências… Na próxima, prometo : uma só nota (musical : pensar é musicar, compor-contrapôr, polifonizar) . Mas haveria muito que (cor)responder, ainda : com-possibilitar, monadizar, entrexprimir (e aí deparamos, de novo, com Leibniz, mas também com o imenso e visionário Giordano Bruno).
… gosto… está-me a pro-vocar e e-vocar muitas coisas, gosto disso… mas, desta vez ( e seria mais [ana]lógica interferencialista e vedutista do que [i]lógica ), serei mesmo brevíssimo : acon/TECE : das Ereignis ereignet … é preciso “tocar”polifonicamente filosofias (e não “filosofia”, uma vez que não há Filosofia, apenas múltiplas versões, perversões, novas “imagens do dito filósofo”…) . Quanto a Heiddeger, gosto da “charneca” –Heidde, do campo, das atmos/feras glaciais, montanhismos, enfim, respirações………… mas há o indelével e opróbrio e cobarde nazi, que perseguiu, inclusivamente, o seu mentor e Prof.Husserl (veja-se o recente livro –biografia sobre H.Arendt…). E isso não se perdoa JAMAIS (faut-il pardonner ?, questionava Jankélévitch-resistente[contrariamente ao Sartre] ), especificamente ao “ filósofo” que deve ser SEMPRE um testemunho-respondente, Steiner novamente, de eticidade , bondade, inventividade, coragem. Wittgenstein ? Já aqui se falou. Não vou tão longe como o Deleuze-“contraditório” (aquelas soberbas garras-unhas nosferáticas ! Oh que encenação !) do ABCDário (releia-se Logique du Sens)… … … …Mas eu prefiro o meu WITZGENSTEIN , como naquela “partitura” que escrevi, ou pintei, sobre o filósofo LEIBNIETZSCHE (Metapsicologia e Caos, Fenda 1995) . Conhece ?
Axiomatizo, uma vez mais, para simplificar (mas haveria tanta, tanta coisa mais…) : 1.Revejam a última Entre/Vista de Buñuel : podem passar fome, mas nunca abdiquem do V. próprio”rumar”, do V. “estilo”, JAMAIS SE VENDAM AO PODER, AOS OPORTUNISMOS E VIDEIRISMOS para subir (pobres) degraus, JAMAIS ; estilizem com firmeza, mas também com humildade, abertura ao Outro, “aconselhem-se” com muitos, mais experientes, e com “estilos” variados, para depois recomeçar, ter vontade de poder recomeçar, de reaprender tudo de novo ; JAMAIS DESISTAM ! Resistir, Insistir, Rir [Rir], Criar, Matar a Morte (a morte nem existe…quando existir… então… Epicuro… curem-se com um misto, cravo bem-humorado e temperado, de Epicuro e de alguns estóicos, humoristas e grandes modistas da inteligência, como Duns Scottus, releiam o Opus Oxoniense, está tudo nas “ecceidades”!!!!) ; 2. Cursos compósitos, situs/múltiplos, sempre, como já afirmei; uma aluna minha, a Inês Cunha, terminou Filosofia e, interessada sistematicamente por questões relacionadas com o Espaço, a “Tópica”, inscreveu-se no curso de Arquitectura e está já no último ano ; ademais, recordem-se da equipe do imenso filósofo-archè Daniel Libeskind (que, também ele, chegou a fazer um Masters sobre a temática da Imaginação). Essa equipa é formada por arquitectos, designers, “criativos”, estetas, até músicos, pintores, e … “filósofos” . É uma “mais-valia” de enriquecimento puramente “gratuito”, uma dádiva, que a todos vai beneficiar . Compósitos. Seja! ;
… Procurem operar UNÍSSONOS com a onda, o vento, sigam o trilho, uma vez mais, sigam sinusóides, derivem com alacridade (e bem); e, vem-me à memória o Ecclesiastes, jamais abandonem a vossa “alma ao desgosto/ … um coração alegre [até] realça o apetite”, paixões-alegres…;
lição de impoder, de sageza, de ética-estética (honra e Força/Gladiador, não é, de novo ?), de dignidade-humildade, de agonística, de ontologia, de Metafísica. VIVAM COM DIGNIDADE, E PROCUREM MORRER COM DIGNIDADE ! (a lição estóica…a lição de Montaigne…mas também de Alice, ou do actor David Niven, tantos outros, o “vou ter um Dies irae com trufas” de um anónimo, mas poderia ser do OZ ou do BerliOZ,,,) . NO MEIO DA TEMPESTA, RELEIAM EPICTETO, GROUCHO, WOODDY ALLEN, SATIE e CAGE, CIORAN, GUATTARI___QUE SEMPRE RI ! SERENIDADE INTEMPESTIVA, É ISSO : E PELO OXÍMORO É QUE VAMOS, VIAJAMOS, MORAMOS E NOS DEMORAMOS, repito! FILOSOFIA : Metafísica não do SER, mas de essências (perfumes, como dizia Proust, o maior dos filósofos), não de SER , mas de Entrelacs – entrançamentos, mas de tranças…Sofia e Philia de Sageza e Amor ! O Milagre egípcio, mais do que o grego (tudo está em ÍSIS, OSÍRIS, POLITEÍSMO DA INVENÇÃO-IMAGINAÇÃO, RIGOR-HEURÍSTICO !!!) … E o melhor do mundo são as crianças ! VIVAM-REVIVAM , SEJAM-BONDADE !... FAÇAM BEM-OUTRIDADE, A OUTREM ! Parece-lhe ingenuísta ? In genio, nos genes, temos todos força bastante para trans-formar, re-formar, re-formular, re-inventar tudo de novo ! Só agora é que a humanidade vai renascer… Que inocência ! (refiro-me ao Inocên/Cio do português Velásquez, e de Francis Bacon, naturalmente) .
DITEM MÚSICA, PINTEM COM AS LETRAS, AMEM, ACREDITEM___ o infinitismo está aí, o Vedutismo outrossim… … …. E PORQUE A COR MAIS BONITA É A BONDADE !
31.Dez.2005
/nota : fotografias de Francisco Lello Ortigão
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