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Do Ócio e Seu Contrário, por Diogo Santos - 14/11/2005 The Graduate (1967), de Charles Webb
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Porque trago este filme para análise filosófica? Porque pretendo defender uma tese que está relacionada com o assunto do filme. A tese é a seguinte: em situação alguma o ócio ou a apatia (estou a usá-los como sinónimos) são eticamente preferíveis a uma acção de qualquer tipo, moralmente boa ou má. Uma pequena advertência. Não estou com a formulação da tese a insinuar que uma acção de qualquer tipo, mesmo moralmente boa, seja eticamente preferível, em qualquer situação ao ócio ou apatia; a afirmação não se segue da tese; aliás, pretendo também demonstrar que isso é falso. Aquilo que caracteriza os comportamentos iniciais de Benjamin é uma total indiferença para com os valores (morais) e regras. Aliás, as suas acções são de uma total indiferença para tudo quanto seja ético. Ele abandona quaisquer ideais. Age de modo absolutamente desinteressado, no sentido em que nada de ético pauta as suas acções. Ora, é exactamente assim que classifico a apatia, como amoral. Amoral é diverso de imoral. Enquanto que o último é eticamente classificado como sendo uma inversão incorrecta de valores, o outro é a total ausência deles. Isto implica que as acções que têm como finalidade somente o ócio não podem ser classificadas em termos morais, i.e. como boas ou más. Se assim é, não é possível decidir eticamente entre apatia e uma acção de outro género, moralmente classificável; uma vez que a opção pela apatia não tem classificação moral e, como tal, não pode ser decidida segundo esses meios. Logo, é legítimo concluir que: em situação alguma o ócio ou a apatia são eticamente preferíveis a uma acção de qualquer tipo, moralmente boa ou má. Assim fica provada a tese a defender. Todavia, queria ir mais longe. Queria também defender, pelas mesmas razões, que uma acção moralmente classificável (refiro-me, em especial às acções boas) não pode dizer-se eticamente preferível em relação a acções que não podem ser classificadas moralmente. O argumento é o mesmo: de uma acção amoral não se pode concluir que seja eticamente melhor ou pior do que uma outra acção, uma vez que a acção amoral não pode ser classificada eticamente de forma alguma. Daí, concluir que as acções amorais não podem ser eticamente comparadas com outras acções. The Graduate oferece-nos meios para reflectir sobre a natureza do ócio, e descortinando essa natureza é possível chegar a este género de conclusões. Claro que tudo aquilo que foi aqui dito é bastante discutível, no que se refere ao argumento usado. Mas é mesmo isso que deixo aqui - alguns pontos para que a discussão sobre o assunto possa decorrer focada sobre um problema ético. Isto é importante, porque se o que foi dito nos parágrafos anteriores tiver algo de verdadeiro, há um grupo muito grande de acções que não podem ser classificadas moralmente nem comparadas com outras acções, o que as exclui totalmente da esfera ética.
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