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Entretenimento,
entretenimento, entretenimento... a indústria do cinema se posiciona,
de forma clara. Não ambiciona outra coisa. Quando ambiciona une
a renda milionária da bilheteira com uma e outra novidade como
foi a PAIXÃO do Mel, aliás, um filme de meia hora, em câmera
lenta o tempo todo, que vira quase duas.
O tema VAN HELSING era para um filme que estava demorando a aparecer por
causa do carisma que a personagem tem. Pena que quem tomou a frente de
definir a saga de VAN HELSING o cinema cheio de truques e plástico
em demasia. Além de uma história para boi dormir.
Os produtores do VAN HELSING, filme, resolveram que em vez do místico-espiritualista
VAN HELSING, houvesse alí mistura de tudo o que é herói,
usando de liberdades poéticas fúteis. Exemplo: A CRIATURA
do Dr. Victor Frankeinstein morre, com ele, caindo de um Moinho. O que
não é verdade, de acordo com a autora original, pois a criatura
desaba com blocos de gelo no pólo . Quero dizer: - Já que
morreram mesmo, por que os autores do filme não fizeram de acordo
com a ideia original, já que seus perseguidores eram vampiros que
podiam tanto estar num aldeola qualquer, como nas geleiras do Árctico.
Tanto faz. Ou seja, usaram de licença poética sem valor
algum. Trocaram seis por meia dúzia.
Já BATMAN aparece nas primeiras sequências, enquanto luta
com um galhofeiro e simiesco MR. HIDE, que de tão virtual e artificialmente
construído me pareceu o antigo KING KONG feito de massinha de modelagem
da década de 30. Levar a cena para Paris ocorre em perda de senso,
a não ser que quisessem remeter ao Corcunda de Notre-Dame, ou,
quem sabe, ao Fantasma do Ópera House, ou ainda usar parte do cenário
do Moulin Rouge, já pronto, zipado em algum disquete nos estúdios
de filmagem – Opa! – de edição. Depois, o Vaticano
também virtual. Lá – pasmem todos! – VAN HELSING
vai se confessar com um padre conivente com a mortandade. VAN HELSING
é um Templário? Fica aí claro que o protagonista
tem que colocar o mundo em ordem e destruir tudo o que é anormal
ou desordenado, ou seja tudo aquilo que é diferente do usual. A
Igreja Católica, por baixo do pano, parte para a solução
final frente aos diferentes, usando para isso o Indiana Jones VAN HELSING.
A desculpa: Os seres diferentes – os anões, coitados - eram
todos criados por obras demoníacas.
James VAN Bond nos subsolos do Vaticanos. Lá, gente de tudo quanto
é religião – ecumenismo da mais importante cepa -
trabalha para estruturar armas e meios de destruir os desiguais –
os monstros – os diferentes. Monges do Tibet e Judeus Ortodoxos
se mesclam, com suas roupas características em um laboratório
de pesquisa. O certo seria usar jaleco. De qualquer maneira os diferentes
são os outros, os filhos do Capeta, os anormais e precisam ser
destruídos por VELVERINE HELSING. Para ajudar JAMES HELSING temos
um armeiro, um monge que ainda é frei – ou seja, licença
para cometer besteiras – que faz o papel de Mr. Q, o armador de
Bond. Ainda por cima o sujeito dá a dica de que construiu um reles
artefato atômico, com as areias do deserto de Gobi, que todos nós
leitores sabemos serem radiativas. No entanto, tanto quanto Caxambu ou
Poços de Caldas. Quem sabe o sub-solo? No futuro esse artefato
será útil para acabar com os vampiros, centenas deles que
dançavam uma simples valsa em tom menor, alegremente, em uma festa,
tanto pelo poder de fogo como pelo clarão deslumbrante.
O gótico permanece em tudo. Detalhes de cenários convivem
com o digital da moderna técnica e as antigas pinturas de paredes.
Mas vemos painéis de fotos em arquivos j-peg projetados sobre as
conhecidíssimas telas azuis do chorma-key na cena em que VAN HELSING
chega na aldeia e há um cenário muito chapado no fundo,
desmentindo o apuro do grupo de técnicos responsáveis. Ali
usaram de solução simples. Uma foto contra o fundo, unidimensional.
Basta! A ilusão se faz, mesmo por que as vampiras eram bonitonas.
Ainda não entendi o motivo pelo qual os romenos aqueles falavam
inglês com sotaque. Como seria dublado, então?
A múmia não apareceu mas o LOBISOMEM sim, aliás,
de importância cabal na obra. É através do LOBISOMEM
que o outro lado de VAN HELSING HIDE vai brotar e expor a sua HARMATIA
– a falha trágica da personagem – pois, o herói,
tendo sido mordido por um Lobisomem, se tornará ele mesmo um similar.
Vejo aí o lobo saindo de dentro do lobo-homem. Outra citação
anacrônica são os casulos de ALIENS que não vingam.
Sorte nossa, pois o bonecos eram muito mal feitos.
Curioso, e isso me vem agora, vejo que do herói não brota
muita coisa ao lado da mocinha arranjadinha ali do lado, mas, depois da
mordida do outro Lobisomem coisa acontecem, coisas mudam... Trágicas
e mais estranhas.
Por fim: DRÁCULA. Deve-se aplaudir a construção das
vampiras digitais que voam. Muito bem elaboradas e fluidas na sua espectralidade
volátil e perolada. Gostei delas. Muito terríveis e más.
Um pouco lerdas nas decisões. E, mesmo o Drácula, eu o vi
bem diferente dos demais. O ator criou um Drácula no estilo expressionismo
alemão e mesmo com trejeitos e modos de agir das Operetas de final
do século 19, que é mais ou menos a época em que
rola a história. Aquele leve sorriso de deboche teria algum significado
dramático? Quanto tempo se levou para construir a Torre Eiffel?
A CRIATURA retorna. Sábia e cool. Um cara muito gozado, falastrão,
cheio de frases feitas, fortíssimo que não consegue escapar
de corrente alguma e desmaia ao primeiro dardo que o VAN TUPINAMBÁ
HELSING lhe sopra.
Algo me diz que esses produtores são uns iconoclastas e se divertiam
a valer.
Como se pode imaginar e prever e saber de antemão, VAN HELSING,
inimigo do Conde Vlad, mordido de raiva pelo Lobisomen, no aparecer de
uma LUA CHEIA que ali estava de plantão, se transforma em terrível
carnívoro lépido e raivoso - antagônico às
mulheres Liliths que só aprecem na LUA NOVA. E, de acordo com a
duvidosa teoria do monge que seguiu HELSING, como Adso segue Guilherme
n’O NOME DA ROSA, lobisomens são os únicos que matam
Dráculas. Não se sabe de onde ele tirou isso. Provavelmente
da cabeça de uns dos produtores do filme. Ora, partindo desse princípio
estarrecedor, confirmado pela participação da mocinha em
outro filme de igual teor, podemos concluir que onde há Lobisomem
há Drácula e Vampiros. E baseado nisso eu me pergunto: O
que será de Arceburgo? - Mas isso é outro assunto. Lenda
Rural do sul das Minas Gerais.
No entanto o filme, que começa galhofeiro, termina com a tragédia.
A catástrofe se abala sobre as consciências – a presunção
e soberba e orgulho do protagonista EX VAN HELSING MAN – causa a
morte da mocinha. Eis aí o momento trágico do filme. Inesperado,
eu poderia dizer, principalmente para quem assistiu o filme antes de ler
esse ensaio.
Mas o que importa é como o filme foi feito e não a história
que, enfim, todas são banais e simplórias nesse tipo de
obra. Afinal, isso é entretenimento, entretenimento... entretenimento...
Coelho de Moraes
www.produtoresindependentes.zip.net
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